22 abril, 2012

Falo de ti às pedras das estradas


Um filme que carateriza o tormento de uma vida atormentada por solidão, palavras e desespero...que tantas vezes nos atormenta  e por mais que nos tentemos libertar, parece algo que não nos abonda...

Deixo um poema ...

Falo de ti às pedras das estradas

Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

um abraço tulipa

15 abril, 2012

Se...





Se os meus olhos não ferissem como ferro em brasa quente
Se o passado não nos atormentasse como uma dor viva
Se o azul do céu não se embrulhasse no cinzento da amargura
Se o tempo parasse no anoitecer e o sol brilhasse em cada amanhecer
Se te perdesses no meu abraço e deixasses sorrir a cada gesto meu
Se o Sol abraçasse a lua num abraço eterno e sorridente
Se o  receio não se instalasse em mim como um véu
Se o teu coração batesse sempre que sentisse o meu chegar
Se visses os meus olhos sorrirem sempre que encontram os teus.
Talvez no futuro ainda pudéssemos fazer uma caminhada
Lado a lado, de mãos dadas com destino ao infinito
 Num  passo incerto  ao som do verbo querer e sentir.


um abraço tulipa