19 setembro, 2010

tenho momentos



Tenho momentos em que me perco
Nos becos e labirintos da vida
Tenho momentos que me perco
Num sorriso , num abraço, num sentir
Outros me fecho nas grades da indiferênça.
Da solidão mesmo rodeada de gente.



Tenho momentos que me sento na beira do mar
Choro por tudo o que não vivi e quero viver
Pelos amores que perdi por aí nas ruas desertas
Tenho momentos que sorrio feito criança
Tenho momentos que olho a Lua de dia
O Sol brilha mesmo na escuridão da noite.



Tenho momentos que nem sei quem sou
Tenho momentos que nem sei para onde vou
Que caminho seguir, que vida levar
Que tento me proteger dos ventos e tempestades
Que assombram a minha vida que parecem
Destruir cada bocadinho de mim que tento reconstruir
Como bocadinhos de papel rasgado num momento de dor.



Tenho momentos que não sei quem sou, nem quem fui
Os sonhos não brilham ao luar nem ao anoitecer
A noite é longa , silenciosa e fria mesmo quando está quente
Eu fico a vaguear no silêncio da noite, no vazio de mim.



um abraço
tulipa

11 setembro, 2010

Perdi


Perdemo-nos nos caminhos da vida

Eu perdi o teu sorriso, o teu abraço
Os pássaros deixaram de voar
O mar silenciou o seu balancear
Ao ver o nosso amor perdido
Nas areias finas da praia deserta.



Eu perdi, tu perdeste, nós perdemos
Um passado construido no céu azul
Como dois pássaros loucos
Que voavam sem medo do tempo
Mas o céu foi ficando cinzento
Nem sempre o amor vence
Perdemos-nos nas palavras
Que não dissemos e calámos
Nas palavras que dissémos e queriamos calar.


Eu perdi o que julgava ser eterno
Mas não podemos reatar o que perdemos
Ficou   guardado no meu coração
Tivémos passado, não temos presente
Fcaram as recordações do teu sorriso
Ficaram as marcas das dores de um amor
Que deixámos morrer nas rotinas da vida.
Um página cheia de retalhos eu virei
Num futuro incerto sem rumo ou direcção.

 
um abraço tulipa

02 setembro, 2010

aos poucos...




Aos poucos a vida regressa à normalidade, à rotina, a areia da praia começa a ficar deserta depois de meses fustigada por corpos ansiosos para conquistarem um lugar ao Sol. O mar fica novamente entregue às suas danças e andanças, sem ter quem o desafie ou mergulhe nas suas águas, muitas vezes geladas mas mesmo assim apetecíveis para muitos.
Os visitantes registam cada pormenor, várias línguas se cruzam no mesmo espaço, várias culturas, formas de estar e ser convivem numa mesma cidade, num mesmo hotel, numa mesma praia, mas chegou a hora de partirem para as suas rotinas e as cidades começam a ficar novamente entregues aos residentes.
Aos poucos a vida volta à rotina, com horas para acordar, para adormecer, a rotina matinal mecanizada, o café da manhã tomado no local de sempre, as conversas banais de começo de dia. O futebol volta a ter lugar de destaque nas conversas para entreter o tempo e dar alento ao dia.
Apesar do Verão andar estranho, parece que chega cada vez mais tarde, o relógio esse não se deixa enganar e o Sol começa adormecer mais cedo para dar lugar ao anoitecer, um anoitecer mais caseiro, um anoitecer a pensar no que ainda há para fazer, no dia de amanhã.
As rotinas começam a instalar-se agora que as férias para muitos pertence já ao passado, as férias podem não ter sido as sonhadas, as desejadas, mas o espírito de Verão e férias fazia-se sentir no sorriso, no ar despreocupado, na falta de horários para cumprir, nas esplanadas cheias….nos dias desocupados.
Aos poucos tudo começa a mudar, o cansaço começa a envolver cada parte do nosso corpo fragilizado para vencer as adversidades, o jantar feito à pressa, os filhos que teimam em não querer ir para a cama apesar de também eles terem de levantar cedo e os seus dias a cumprirem., o seu percurso escolar, as actividades os trabalhos de casa…o silêncio parece que nunca mais chega!
O resto do tempo é passado entre pequenas arrumações, trabalhos, computador, televisão e alguma leitura, descansar, porque no amanhã tudo recomeça ao toque do despertador e mais um dia na espera. Um dia em que nunca sabemos como irá terminar.
O amanhã é sempre uma caixinha misteriosa, umas vezes nada parece acontecer são dias vazios, despidos de novidade, outros surpreendem-nos e depois há aqueles em que mais valia não ter saído à rua porque parece que o mundo entrou em sintonia para nos magoar. Há dias que nunca conseguiremos esquecer seja por uma boa ou má razão!
É na noite que temos encontrar energia para um novo dia. No silêncio da noite!
Na pausa não há música mas ela faz parte da música, na vida também precisamos de pausa, para podermos construir novos caminhos e repensar os que já percorremos.
O calendário ainda vai registar o Verão por algumas semanas, mas está já a preparar as despedidas e com ele partem as andorinhas, as folhas das árvores caem amarelecidas no chão, as flores escondem-se no jardim…Para o ano tudo volta de novo. É o ciclo da Natureza!
A vida também tem os seus ciclos, os seus percursos, o seu tempo de duração…e mesmo agora que as férias ainda são uma recordação viva na memória, muitos planeiam já as próximas, tentando conquistar cada vez lugares mais longínquos….cheios de sonho e mistério que por alguns dias os façam esquecer as ruas que tão bem conhecem, as caras de sempre, o trabalho, os problemas que ficaram a descansar em casa …
Outros limitam-se a ficar por casa, o dinheiro não dá para grandes saídas ou há outras prioridades, outras opções….mas todos desejam ficar uns dias livres, sem rotinas ou horários…. Sem ouvir o despertador!
Para o ano as rotinas das férias voltarão….o Verão esse anda tão instável que um dia ainda vai chegar por altura do Natal… são os novos ritmos de vida aos quais as Estações do Ano também têm uma palavra a dizer.
Pouco a pouco a cidade adormece e a praia fica deserta e nós voltamos às rotinas… do trabalho, do tempo, dos serões em casa, dos estudos….
Para o ano as férias voltam e com elas a magia do sossego!


um abraço tulipa