27 junho, 2010

duvidas

Ontem fui ver um espectáculo da Teresa Salgueiro, goste-se ou não, a qualidade da voz parece ser uma verdade sem dúvidas. Um bonito espectáculo!



Não cantou um dos meus fados preferidos porque esse pertence ainda ao seu passado enquanto elemento dos Madredeus. O fado das dúvidas!




Hoje pela manhã e porque o sono fugiu cedo e o Sol ainda não despertou, relembrei tudo isso e escrevi este pequeno poema, cheio de dúvidas...



Dúvidas
Que correm nas veias
Que assobram cada certeza
Que abraçam cada gesto
Que negam cada caminho.

Dúvidas do hoje e do amanhã
Dúvidas se voltarei a braçar
Um amor despedaçado
Em bocados de juras eternas.

Dúvidas se hoje verei o sol
Ou sentirei a chuva a correr-me
Pelo corpo lavando as poeiras
Das dúvidas que dormem a meu lado.

Dúvidas se um dia sentirei a legria
De um amor que renasce das cinzas
Que fomos destruindo em cada gesto
Em cada palavra calada ou sentida.

Dúvidas e mais dúvidas
Que assombram o Ser humano
Que caminham no invisivel
De cada angústia percorrida.

 
um abraço tulipa

13 junho, 2010

vou partir...


No primeiro comboio da manhã
No silêncio da madrugada

No orvalho da manhã

Não levo bagagem

Vou apenas eu

Levo as mãos cheias de nada

O coração cheio de verdade.


 
Pela janela olho o tempo

Que corre sem pressa

As árvores que dizem adeus

Gente que entra e sai

Pela janela olho as searas

Que despertam para o dia

De uma viagem desconhecida.





O comboio parou num destino

Que inventei dentro de mim

Procuro –te entre os atropelos

Procuro o que resta de mim

Só queria um abraço

Só queria um sorriso

Olho em volta

Num olhar perdido e amargurado

Não tenho ninguém à minha espera

Vou voltar a partir

No primeiro comboio da manhã

À procura de um abraço…

um abraço tulipa

06 junho, 2010

não venhas hoje

Não venhas hoje


Encontrarias o vazio
Esculpido em pedra
Fria e ausente
Um vazio deitado ao vento.
A minha boca secou
Na amargura
No silêncio
As minhas mãos
Irtas sem vida
Sem força para te abraçar
Sem força para te enrolar
O meu corpo despido
Ausente de vida
Ausente de carinho
De palavras de amor.
Não venhas hoje
Porque hoje não existo
Vivo num tempo por inventar
Num mundo por mim criado
Numa jaula feita de aço
Frio e inquebrável.
Não venhas hoje
Só verias o invisivel
Num corpo inactivo
Sem um sorriso nos lábios
Feito de palavras silenciadas
Num mundo apenas meu.
Não venhas hoje...

um abraço tulipa