25 junho, 2009

silêncio uma voz interior...



“ Só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir alguém”
( Jean-Jacques Rousseau)



Há momentos em que precisamos de nos recolhermos um pouco do mundo e ouvir a nossa voz interior. Trazemos à lembrança momentos passados e projectamos o amanhã. Viajamos no tempo de uma forma silenciosa.
O silêncio pode ser encarado como uma lavagem da alma em que a voz da razão e da emoção se confundem e discutem entre si. Ouvimos os sussurros das duas e por vezes ficamos quietos sem saber qual escutar.
Ficamos a olhar o infinito, agitados ou serenos sem participar no mundo exterior, por momentos deixámos de lhe pertencer.
Nestes momentos em que nos deixamos estar ausentes e viajamos dentro de nós percorremos cada cantinho do nosso coração , pensamento, para reflectirmos sobre actos ou palavras que não dissemos e queríamos dizer. Fazemos um renascimento interior, procuramos muitas vezes a paz interior perdida. Partimos em busca dos sonhos perdidos e das pessoas ausentes.
Este é um silêncio gratificante porque é uma viagem de auto-conhecimento, de reflexão , mas também existem silêncios duros de suportar.
O silencio do telefone quando desejávamos um telefonema, o email que não chegou, a pessoa que queríamos encontrar não apareceu.
Deixamos passar o tempo e permanecemos em silêncio, mesmo que dentro de nós brotem palavras de carinho de afecto, uma vontade enorme de dizer “ fica comigo”,ou palavras mais duras que poderiam magoar alguém, mas que para nós eram importantes serem ditas. Então calamos no nosso mundo interior o que queríamos passar para o exterior e não tivemos força ou coragem.
Há alturas em que sentimos que queríamos partir noutra direcção ao encontro de algo ou alguém , mas continuamos firmes neste terreno que já conhecemos, porque o desconhecido é sempre uma aventura e um momento de instabilidade. Nada dizemos, sem nos tentarmos aproximar de quem queríamos. Até que um dia já não seremos capazes de seguir nenhum caminho e cada dia que passa nos sentimos mais mergulhados no nosso silêncio, no nosso mundo interior, e o outro que até esperou uma palavra nossa já não sente a nossa falta.
Tantas são as vezes que sentimos vontade de calar a voz da razão, porque ela muitas vezes nos tira a calma, e deixar que a da emoção fale mais alto e partir em direcção ao sonho , ao caminho da liberdade e de percorrermos com o vento estradas e montes em busca de um mundo desconhecido, um mundo que não nos pertence mas que desejamos.
Ficamos calados, prisioneiros do nosso silêncio, quando as palavras quase não pedem autorização para brotar pela nossa boca como a água da fonte que corre de uma forma límpida e transparente.
Parece-me que existem vários tipos de silêncio: o silêncio desejado para nos descobrirmos e aprendermos a crescer com o nosso “ eu” ; o silêncio imposto pelos outros e que nem sempre entendemos, e o silêncio que vem com um afastamento não programado mas que a vida se encarregou de calar vozes que tanto tiveram em comum.
Viajarmos dentro de nós é um momento belo de aprendizagem, mas também precisamos de ouvir e ser escutados. Senão essa viagem torna-se sufocante e nos afasta do mundo real.


um abraço

tulipa


4 comentários:

Secreta disse...

O silencio por vezes é uma forma que encontramos de purificação interior , noutras vezes o silêncio é tremendamente perturbador. Tudo depende apenas do nosso estado de espirito.
Beijito.

clic disse...

Imagine-se um muro, num caso estamos do lado de cá, no outro do lado de lá...

Huma Senhora disse...

Esse também é um dos exercícios que mais gosto de fazer.
O livro que anda a ler, para mim, é um dos melhores!

NAFTAMOR // Melhoral disse...

Em silêncio
li .......

e saí

Um beijo