29 junho, 2009

despedida lenta...


Estás a fazer uma lenta despedida
A libertar as amarras que ainda te prendem
Sei que queres deixar tudo arrumado
antes de partires!
Uma dessas amarras sou eu
e os miúdos
E o teu jardim…
Por mais que me doía,
por mais que sofra
Quero que sigas o teu fim
Com a paz e serenidade
Que não encontraste
nestas caminhadas!

Não aprendi a dizer adeus,
nem nunca vou aprender
Mas quando quiseres partir
Vou chorar a minha dor
Mas não te vou pedir
mais para ficares
Solta as amarras e vai …
Quando chegar a hora…
Não te quero ver mais sofrer…

Um beijo com muito carinho
tulipa

25 junho, 2009

silêncio uma voz interior...



“ Só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir alguém”
( Jean-Jacques Rousseau)



Há momentos em que precisamos de nos recolhermos um pouco do mundo e ouvir a nossa voz interior. Trazemos à lembrança momentos passados e projectamos o amanhã. Viajamos no tempo de uma forma silenciosa.
O silêncio pode ser encarado como uma lavagem da alma em que a voz da razão e da emoção se confundem e discutem entre si. Ouvimos os sussurros das duas e por vezes ficamos quietos sem saber qual escutar.
Ficamos a olhar o infinito, agitados ou serenos sem participar no mundo exterior, por momentos deixámos de lhe pertencer.
Nestes momentos em que nos deixamos estar ausentes e viajamos dentro de nós percorremos cada cantinho do nosso coração , pensamento, para reflectirmos sobre actos ou palavras que não dissemos e queríamos dizer. Fazemos um renascimento interior, procuramos muitas vezes a paz interior perdida. Partimos em busca dos sonhos perdidos e das pessoas ausentes.
Este é um silêncio gratificante porque é uma viagem de auto-conhecimento, de reflexão , mas também existem silêncios duros de suportar.
O silencio do telefone quando desejávamos um telefonema, o email que não chegou, a pessoa que queríamos encontrar não apareceu.
Deixamos passar o tempo e permanecemos em silêncio, mesmo que dentro de nós brotem palavras de carinho de afecto, uma vontade enorme de dizer “ fica comigo”,ou palavras mais duras que poderiam magoar alguém, mas que para nós eram importantes serem ditas. Então calamos no nosso mundo interior o que queríamos passar para o exterior e não tivemos força ou coragem.
Há alturas em que sentimos que queríamos partir noutra direcção ao encontro de algo ou alguém , mas continuamos firmes neste terreno que já conhecemos, porque o desconhecido é sempre uma aventura e um momento de instabilidade. Nada dizemos, sem nos tentarmos aproximar de quem queríamos. Até que um dia já não seremos capazes de seguir nenhum caminho e cada dia que passa nos sentimos mais mergulhados no nosso silêncio, no nosso mundo interior, e o outro que até esperou uma palavra nossa já não sente a nossa falta.
Tantas são as vezes que sentimos vontade de calar a voz da razão, porque ela muitas vezes nos tira a calma, e deixar que a da emoção fale mais alto e partir em direcção ao sonho , ao caminho da liberdade e de percorrermos com o vento estradas e montes em busca de um mundo desconhecido, um mundo que não nos pertence mas que desejamos.
Ficamos calados, prisioneiros do nosso silêncio, quando as palavras quase não pedem autorização para brotar pela nossa boca como a água da fonte que corre de uma forma límpida e transparente.
Parece-me que existem vários tipos de silêncio: o silêncio desejado para nos descobrirmos e aprendermos a crescer com o nosso “ eu” ; o silêncio imposto pelos outros e que nem sempre entendemos, e o silêncio que vem com um afastamento não programado mas que a vida se encarregou de calar vozes que tanto tiveram em comum.
Viajarmos dentro de nós é um momento belo de aprendizagem, mas também precisamos de ouvir e ser escutados. Senão essa viagem torna-se sufocante e nos afasta do mundo real.


um abraço

tulipa


19 junho, 2009

barreiras...

O mar batia à distância
Caminhava no silêncio
da minha música
Pegadas na areia
Anónimas e perdidas
Caminhava com destino ao nada
Sem saber o que estava à frente
Mas não queria voltar atrás
Queria ficar longe da multidão
Vagueava no silêncio
Até ao limite do possível
Até ao limite do impossível
Há barreiras que não
Consigo transpor
Trepar vencer
Barreiras invisíveis
Barreiras dentro de mim
Que ninguém vê
Mas queimam como
Sol quente

Barreiras que tento libertar
Nas pegadas anónimas
Da praia…
Será que ficaram por lá
A ver o anoitecer?
Ao voltaram noutro
Dia , noutro amanhecer
Sem hora ou dia
Sem aviso
E queimam como ferida
Sangrando…
Numa dor sentida...
um abraço tulipa

15 junho, 2009

memórias



Fazia anos não importa quantos,
O tempo perdeu-se na vida por viver,
Fizemos juras de amor eterno
Juras que não cumprimos
Nos encontros e desencontros da vida
Nos elos quebrados
Nos filhos que tivemos
Nas lágrimas que derramadas
Num vestido branco
Num sonho não cumprido

Fazia anos não importa quantos
Não sei contar o tempo
Que me esperavas
Como num conto de fadas
Tudo se perdeu no tempo…
Numa vida que não se construiu
Que se perdeu nas encruzilhadas
De encontros e desencontros
Hoje seguimos caminhos
De mágoas acumuladas
Restam dois príncipes
De um conto de fadas
Sem final feliz…
um abraço

Tulipa

10 junho, 2009

atrasos...


" Se você não se atrasar demais ,

posso te esperar toda a minha vida."



Oscar Wilde


um abraço
tulipa

04 junho, 2009

um banco vazio...





O Sol esconde-se atrás do silêncio das árvores que bailam ao som do vento, um banco vazio,
na solidão do olhar cruzo o horizonte,
ouço o silêncio da solidão na escuridão macia do meu coração.

No silêncio e diante de um banco vazio, chamo por ti…
e tu como por magia surges do nada… sentas-te comigo e nele ouvimos o silêncio das nossas palavras…
Ficarmos assim , sem pressa de partir , de mãos dadas, até o Sol se deitar e a Lua nos encantar.


Tenho saudades de sentar num banco vazio e trocar cumplicidades , olhares e sorrisos….

Tenho saudades de ter tempo para ficar só o horizonte sem pressas...

Num silêncio meu e teu....


um abraço

tulipa